despertar de manhãzinha
com este azul gelado de estalar os ossos
absorver o sol em todo o seu esplendor
morno
sorridente
ser inverno e pouco importar
estar tranquilo, ser completo
rir da vida
rir-me na cara dela
sem me importar.
dizer-lhe
com a determinação de quem já nada tem a perder
que me recuso veemente de a tentar compreender
encostar-me para trás na famosa cadeira de convés
fechar os olhos e sentir as marés
esquecer o mundo,
embalado
e ao sabor constante da ondulação
exorcizar esta tremenda confusão
hoje quando acordei
o ar era fresco
o céu era azul
e o sol era morno.
tudo o resto
sei tranquilamente
com toda a certeza que a incerteza comporta
que já não sei o que é...
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
30.10.08
o ribombar das ondas nos rochedos,
despedaçando-se
o som rufante da chuva,
rajadas goticuladas de turbilhão salgado
assobiando, zumbindo, gritando
orquestra de tambores
de paladares e odores
espumajantes
incessantes
eu. água. o mundo.
montanhas cinzentas de firmamento
planícies inundadas de desespero
cavam fundo
no meu ser
neste mar profundo
em que a minha alma se quer perder
é aqui o meu refúgio
o meu abrigo
só ele me entende:
pequeno postigo
por onde espreito o mundo
à beira-mar
despedaçando-se
o som rufante da chuva,
rajadas goticuladas de turbilhão salgado
assobiando, zumbindo, gritando
orquestra de tambores
de paladares e odores
espumajantes
incessantes
eu. água. o mundo.
montanhas cinzentas de firmamento
planícies inundadas de desespero
cavam fundo
no meu ser
neste mar profundo
em que a minha alma se quer perder
é aqui o meu refúgio
o meu abrigo
só ele me entende:
pequeno postigo
por onde espreito o mundo
à beira-mar
terça-feira, 28 de outubro de 2008
28.10.08
O mundo necessita urgentemente ser reconquistado pelas coisas boas, pelos acontecimentos positivos, pelas ideias optimistas... pelas pessoas que fazem sorrir!
Pelo sol que brilha mais alto, pela chuva que cai suavemente, que apenas deixa um sabor doce e saudoso a melancolia na retina da alma, pelos crepúsculos reconfortantes, pelas brisas refrescantes, pelos corações galopantes de paixão, pelos sorrisos puros e cúmplices, pelos olhares sinceros de compreensão desprendidos de amarras e repreensão.
Então aí sim, provávelmente encontraremos algum sentido nesta existência envenenada de precaridade...
Com tudo o que tenho visto por aí, parece pertinente uma revolução!
Das pessoas boas, das pessoas puras, das pessoas sinceras, contra tudo o que de mal que tem distorcido a beleza por aí perdida, dispersamente, nas entranhas da malvadez que a devorou.
Então aí sim, provávelmente encontraremos algum sentido nesta existência fustigada de incompreensão...
Pelo sol que brilha mais alto, pela chuva que cai suavemente, que apenas deixa um sabor doce e saudoso a melancolia na retina da alma, pelos crepúsculos reconfortantes, pelas brisas refrescantes, pelos corações galopantes de paixão, pelos sorrisos puros e cúmplices, pelos olhares sinceros de compreensão desprendidos de amarras e repreensão.
Então aí sim, provávelmente encontraremos algum sentido nesta existência envenenada de precaridade...
Com tudo o que tenho visto por aí, parece pertinente uma revolução!
Das pessoas boas, das pessoas puras, das pessoas sinceras, contra tudo o que de mal que tem distorcido a beleza por aí perdida, dispersamente, nas entranhas da malvadez que a devorou.
Então aí sim, provávelmente encontraremos algum sentido nesta existência fustigada de incompreensão...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
27.10.08 III
esperneava no desconsolo da minha fuga desorientada
do lado negro da minha solidão
inconscientemente.
quando
secretamente como todo o destino
sem eu me aperceber
um pirilampo.
uma luz tímida
uma coroa de empatia
que reluzia... tremida de fragilidade
fechada sobre si mesmo
tocou-me nas pálpebras cerradas,
no meu coração fechado
e fugiu.
a criança envergonhada dentro de mim foi atrás
bateu à porta e ninguém abriu,
então fugiu.
e de noite,
com a criança à janela
de vez em quando o pirilampo aparece
puro na sua incerteza, reluzente na sua pureza
tímido, alado, magoado.
a criança envergonhada sonha
timidamente
sonha e projecta
e quando o pirilampo não aparece
fecha a janela
e foge.
do lado negro da minha solidão
inconscientemente.
quando
secretamente como todo o destino
sem eu me aperceber
um pirilampo.
uma luz tímida
uma coroa de empatia
que reluzia... tremida de fragilidade
fechada sobre si mesmo
tocou-me nas pálpebras cerradas,
no meu coração fechado
e fugiu.
a criança envergonhada dentro de mim foi atrás
bateu à porta e ninguém abriu,
então fugiu.
e de noite,
com a criança à janela
de vez em quando o pirilampo aparece
puro na sua incerteza, reluzente na sua pureza
tímido, alado, magoado.
a criança envergonhada sonha
timidamente
sonha e projecta
e quando o pirilampo não aparece
fecha a janela
e foge.
27.10.08 II
parou de chover
abriu-se uma clareira no céu
e por entre os restos cinzentos do manto esburacado que enolvia o mundo
espreita a tela azul celeste em que o pintaram
pincelando os telhados de um castanho frio
molhado e opaco
o peso asfixiante da chuva esfumou-se
a natureza respira fundo de alívio
e com ela, a minha alma também
abriu-se uma clareira no céu
e por entre os restos cinzentos do manto esburacado que enolvia o mundo
espreita a tela azul celeste em que o pintaram
pincelando os telhados de um castanho frio
molhado e opaco
o peso asfixiante da chuva esfumou-se
a natureza respira fundo de alívio
e com ela, a minha alma também
27.10.08
acordei estendido nesta cama
na escuridão negra deste quarto
não me atrevo levantar
o meu corpo pesa toneladas
sinto a gravidade a triplicar em cada centímetro da minha existência
não me apetece mexer
ouço a chuva incessante lá fora
pressinto o dilúvio
não o vou enfrentar
não o quero enfrentar
falta-me a força
para fugir deste buraco negro em que caí
ausencia de vontade
sem folego
para respirar
talvez ficando aqui deitado,
caladinho,
quieto
muito pequeno
inerte
talvez o mundo lá fora desapareça,
talvez tudo passe
talvez...
e o silêncio é total,
já nem a chuva me assusta
invoco as ossadas que me rodeiam
podiam ter sido pessoas,
mortos que a minha vida levou
lembro-me saudosamente de cada uma delas...
e hoje tenho que me desprender.
sei que tenho.
ter precebido
que a solidão é a base de tudo
e que é a partir dela que tenho que saír e conquistar o mundo
daria esse mesmo mundo para ter alguém ao meu lado hoje,
mas não é por aí o meu caminho...
não é por aí... não desta vez.
na escuridão negra deste quarto
não me atrevo levantar
o meu corpo pesa toneladas
sinto a gravidade a triplicar em cada centímetro da minha existência
não me apetece mexer
ouço a chuva incessante lá fora
pressinto o dilúvio
não o vou enfrentar
não o quero enfrentar
falta-me a força
para fugir deste buraco negro em que caí
ausencia de vontade
sem folego
para respirar
talvez ficando aqui deitado,
caladinho,
quieto
muito pequeno
inerte
talvez o mundo lá fora desapareça,
talvez tudo passe
talvez...
e o silêncio é total,
já nem a chuva me assusta
invoco as ossadas que me rodeiam
podiam ter sido pessoas,
mortos que a minha vida levou
lembro-me saudosamente de cada uma delas...
e hoje tenho que me desprender.
sei que tenho.
ter precebido
que a solidão é a base de tudo
e que é a partir dela que tenho que saír e conquistar o mundo
daria esse mesmo mundo para ter alguém ao meu lado hoje,
mas não é por aí o meu caminho...
não é por aí... não desta vez.
domingo, 26 de outubro de 2008
domingo 26.10.08
a solidão vazia de um domingo
nua
divago pelos meus sonhos
descartando fantasias
varrendo cacos
procurando norte.
eu.
só eu
sempre eu.
hoje não...
tristemente ridículo
nesta fuga constante
vim desaguar
neste mar deserto
onde me afogo em apatia
desenhei uma vida fácil
neste mapa
que o vento me arrancou das mãos
não vejo nada
desorientado
cego
errante
escuridão
apatia: desilusão
medo. pavor. solidão
morte
estagnação
agarro-me à única certeza que posso ter
aquela que me diz que algures dentro do meu ser cavernoso
escondida
existe um chama que arde, resiste e não se apaga
tímida
sussurra-me ao ouvido
meigamente
que nada o que se sente é em vão
implorando-me para acreditar
nua
divago pelos meus sonhos
descartando fantasias
varrendo cacos
procurando norte.
eu.
só eu
sempre eu.
hoje não...
tristemente ridículo
nesta fuga constante
vim desaguar
neste mar deserto
onde me afogo em apatia
desenhei uma vida fácil
neste mapa
que o vento me arrancou das mãos
não vejo nada
desorientado
cego
errante
escuridão
apatia: desilusão
medo. pavor. solidão
morte
estagnação
agarro-me à única certeza que posso ter
aquela que me diz que algures dentro do meu ser cavernoso
escondida
existe um chama que arde, resiste e não se apaga
tímida
sussurra-me ao ouvido
meigamente
que nada o que se sente é em vão
implorando-me para acreditar
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