o baile abre com a seguinte melodia:
os astros voltaram a alinhar-se cruelmente
naquela constelação dádá de firmamento
que se forma de vez em quando
só para me foder.
por aí me arrasto, tremendo ao relento
e mesmo assim vou gritando,
não é desta que vou morrer!
Abre o pano e o pianista toca entretido (que alegria!):
o meu amor é um buffet,
cada um passa, pede e tira.
sirvam-se abutres! devorem-no hienas!
gulosos,
encham os bolsos e levem para casa,
guardem no frigorífico, ofereçam aos amigos,
aos namorados, ás namoradas,
deixem estragar e deitem ao lixo:
há aqui muito e abunda.
e deixem os pratos, que eu arrumo…
Mais um rissolzinho? sobremesa? (um momento, vou à cozinha e já volto não sei se ainda tenho!)
já não há?
pura ilusão!
não existe, inventa-se…
como é que queres? doce, salgado,
amargo, inspirado?
trago em mim receita para tudo
e solicitado cá estou,
PRESENTE!
preparando, confeccionando, inventando,
não gosto é de gente insatisfeita:
comam, enjoem e vomitem (se for o caso, o apetite tem dessas coisas).
O pianista não sabe? Sento-me eu ao piano então.
dancem que eu toco,
querem valsa? tango? e pimba?
querem que componha? para vocês? também se arranja!
um balada? (romântica?)
gostas desta melodia?
sentes-te preenchida
e em pura sintonia?
não queres dançar? paciência.
então bailem para aí que eu acompanho.
eu quero é gente feliz
que infeliz já chego eu
(sozinho ao piano de copo na mão)
e quando acharem que chegou, (avisem!)
eu chamo um taxi e ofereço uma recordação
um pedaço de esperança do homem
que sonhava de copo na mão.
e, por favor, não se incomodem,
deixem os cacos que eu varro…
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
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